Décima Redonda de Quem Doma Potros e Bois
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Domadores, meus patrícios há miles, por essa pampa se diferentes na estampa tão iguais em seus ofícios mesmas prosas, mesmos vícios e o mesmo tino campeiro homens, rurais e vileiros vem ermanados na farra de repassarem nas garras tropilhas de caborteiros
a cada grito de solta deixa pra mim, o malino o taura envida o destino que não precisa de escolta se, se agarra dando volta ou se arrasta num repecho pra livrar dum mau desfecho que se apronta nessa hora vai um santo em cada espora e um tento atado nos queixos
são tantos os domadores paridos nessa querência calejados de experiência e perícias de doutores também são tantos cantores que se agrandam nesse tema cada um à seu sistema de por um home acavalo ou simplesmente cantá-los pra falquejar um poema
me gusta, ver um cantor de guitarra e alma em punho forjando um canto terrunho solito, sem fiador domando coplas de amores e uma saudade gineta sem esporas, nem rosetas só tendo a luz das estrelas guiando a pátria sinuela sobre as rodas das carretas
é por isso que canto um domador diferente da mesma forma, valente ma esquecido, no entanto não por Ter menos encanto mas, por andar mais distante quem mirar num sofragante ainda verás esse campeiro as voltas com algum franqueiro na cortina do horizonte
há de se Ter mais tutano se topar com algum refugo fazer respeitar o jugo por mais que seja aragano boi de canga, meus ermanos tem de tudo que é feitio o mais manso, o mais bravio conforme, se redomoneia vai se apartando as parelhas cada qual pra sei prestio
boi lerdo, dá puxador pra arrasto ou carga pesada num atoleiro ou trepada nem precisa fiador boi ligeiro, da lavrador tendo a verga por regeira nunca passa da porteira do piquetinho dos fundos pois tem no arado seu mundo e na canga sua fronteira
quem vai no coice ou na ponta isso aì, até nem falo porque outros já falaram então eu deixo por conta pois pegar a coisa pronta eu nunca fiz e nem faço vou ocupando os espaços por onde me vem o envite sem ir além dos limites da força dos próprios braço
quem volteou parelhas loucas e outros tantos cavalos sabe bem que prá domá-los a diferença é mui pouca um, leva um tento na boca o outro, leva regeira um, chergão, cincha, peiteira e pelegos sobre o basto paisandú o outro, ajojo, e canga de guatambú tamoeiro, brochas e canzis de pitangueira
não vou fechar a porteira no arredondar dessa prosa pois há boiada teimosa e eguada caborteira pra nossa indiada campeira ir retoçando a pealo quem sabe até sujeitá-los com bocal ou com ajojo buscando um último apojo de carreta ou de acavalo