Alma em Verso
Poesia

Décima da Pedra Antiga

Rômulo Chaves

VIII Tertúlia Maçônica da Poesia CrioulaPublicado em

Era um tempo antigo Eram homens da terra Eram tropas de guerra Sem a paz por abrigo Me dói quando eu digo Destas coisas que penso Mas, aí me convenço De que há importância Em vencer a distância E quebrar o silêncio...

Na sobra de ruína Que o tempo vê em pé Misto de amor e fé Da gesta campesina Imagens que as retinas Não conseguem guardar O misticismo do lugar O apego a este chão Que o índio do rincão Conhecia por seu lar!

Nessa mesma construção, A pedra está firmada Na missão quase sagrada De memória da nação Não pulsa qual coração Não fala e não sente Mas, aí, que de repente Quisera até saber O que ela ia dizer Se falasse com a gente...

O quanto testemunhou, A pedra missioneira Que a gesta pioneira Escolheu e emparedou Sobre o muito que restou Havia outras tão iguais Que o suor dos ancestrais Pela redução terrena Empilhou, a duras penas, Pra história, pros anais!

Quanta prece foi erguida No interior da Catedral Onde o silêncio habitual Até parece ganhar vida… A história não dá a medida De tanta angústia guardada E morenice violada Na tez da inocência... Chorou a querência, A pedra não fez nada!!

No silêncio, reflito: - Que, pedra, me reconheço - Pelo tempo, envelheço E pouco tenho dito Muitas vezes, me omito Não vou além da visão Não luto por meu quinhão Não busco meu direito Silencio no meu peito Qual pedra da redução...

Não basta testemunhar As coisas que vão e vem Precisa ação, também Pra o que quero transformar Se a morte vai me levar Lá, na hora que acontecer Não quero me arrepender De não ter dito o certo De não ter descoberto Real motivo pra viver...

Por isso, venho mudando Meu jeito e sentimento Revelo meu pensamento Com critério, vou andando Ouço, mas, sigo opinando Marcando meus ideais Pois, não quero, jamais A frieza que silenciou Velha saga que abraçou As pedras das Catedrais...

Cada qual pode escolher Durante a jornada que faz Gritar por guerra ou paz Ludibriar ou merecer... Cada gesto vai dizer Cada pegada denunciar Por onde foi caminhar O taura, com suas ânsias, Se fez grandes distâncias, Ou nem saiu do lugar...

Não sei se vou conseguir Mas, importa a tentativa, De guardar, sempre viva, Minha vontade de seguir O dom bendito de sorrir A voz mansa da cantiga A paz, por minha amiga, Diferenciando, afinal, Do silêncio tão brutal Que mora na pedra antiga!!