ROMANCE DO FORASTEIRO
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Ao trote foi se chegando em riba dum mouro velho, Pelego de lã vermelho e as esporas tilintando... O pingo vinha no embalo de estampa aperada, Casco e crina aparada, cola atada a canta-galo...
O índio – um forasteiro, de chapéu, lenço e bombacha. Bota de garrão e faixa, adaga e um trinta matreiro... A melena era negrume, pele de bronze judiada, Barba grande bem cerrada e olhos de vagalume...
Boleou a perna do pingo, quebrou o chapéu na testa, Guardou as armas de festa, afinal era domingo...
Junto à soleira da porta parou com olhos de gato. Na idéia fez um retrato gravando só o que importa... Entrou arrastando espora num silêncio de respeito, Parecendo pelo jeito o rio grande de outrora.
O carteado foi pausado, os olhares se cruzaram Os baios enfumaçaram e o ar ficou mais pesado... Os “cueras” junto às cadeiras, - corpos tesos musculentos, Olhos e ouvidos atentos e as mãos sentindo coceiras...
Sabiam que nessa banda muito peão sem identidade Vive na sua liberdade alheio à lei que comanda...
O forasteiro sabia que eles também sabiam E sabendo esperariam saber como acabaria... Culpa cada um tem a sua! - todo mundo tem passado E o índio quando é cobrado... nem sempre paga ou recua.
Olhou o ambiente incomum e as almas alarmadas Que já estavam condenadas no interior de cada um... Enxergou-se nos viventes à espera do inesperado, - só se age justificado é o código dos valentes...
No balcão da pulperia escorou-se bem no canto, "Sociou" um gole c’o santo e se mandou "a la cria..."
Alçou a perna no pingo sacou as armas de estima "Sampou" dois tiros pra cima afinal era domingo... Subiu no horizonte louro uma "poeirama" sotreta Escurecendo a silhueta dum taura por sobre um pingo...
Pelas ruelas do povoado um vento forte soprou, O ambiente "alivianou" e reiniciou o carteado... Nem os párias e o “pulpeiro” comentaram o assucedido, Donde veio ou foi saído... pra onde se ia o forasteiro...
Sabiam todos no seu dialeto que mais dia ou menos dia Alguém apareceria perguntando dele e do pingo, O melhor era ficar quieto... afinal era domingo.