Fronteiras do Pensamento
Um quero-quero que habita o sul deste Continente não vislumbra diferenças entre a pampa castelhana e as pradarias gaúchas.
O arco-iris que brota do fundo das cataratas não se interrompe na alfândega, não discrimina bandeiras, nem sotaques, nem semblantes...
O sol que ilumina o rosto dos caboclos pantaneiros não sombreia divisórias e é o mesmo que doura a pele dos chaquenhos paraguaios.
O vento que vem dos Andes com indígenas ressonãncias não reconhece limites entre a selva peruana e a amazônia brasileira.
Então um condor que paira neste céu sul-ameríndio lança um grunhido profundo e nos pergunta solene:
-Onde estão as verdadeiras inexoráveis frontreiras deste mundo que habitamos?
Se as aduanas da vida já não coíbem mercâncias nesta babel monetária, o pensamento reinante marca divisas profundas no chão deste território, miséria, desigualdade e barreiras de onipotência. - Cancelas de arrogância -
Se a palavra viaja livre por todos os hemisférios numa rede universal e o saber se expande imenso, o pensar dos tripulantes possui vielas estreitas pra tamanha informação, há cordões de isolamento, descrença e maniqueísmo. - Trincheiras de ignorância -
Se as distâncias se apequenam e os caminhos proliferam qual estrelas madrugueiras, a mente dos caminhantes guarda elementos ocultos em recantos sectários, há guetos de preconceito e cercas de intransigência. - Muralhas de intolerância.