Alma em Verso
Poesia

1. A Cruz de Cedro

Rodrigo Bauer

9º Bivaque da Poesia GáuchaPublicado em

Talvez tenha sido morto na Guerra do Paraguai... Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai... Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão e a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão!

No seu enterro pacato, poucos amigos, parentes... É neles que permanece, pra sempre, um pouco da gente! Depois, na noite com chuva, o campo inteiro sentiu mais uma ausência habitando o cemitério vazio!

O sol acendeu os dias e a vida, então, continuou e a Cruz de cedro, ainda verde, vencendo a morte, brotou... Quando se deram por conta, de verde estava vestida uma ironia campeira marcando a morte com vida!

Em seu retorno pra terra, nunca talvez lhe ocorresse que emprestaria as entranhas para que a Cruz não morresse! Ou sua alma guerreira, por ter a fibra imortal, ganhou a Cruz de madeira, se erguendo na vertical?

O tempo cruzou com tropas, carretas e temporais e a Cruz abriu mais os braços pra receber os cardeais... Enraizou suas lendas e hoje, copando mistérios, sombreia além dos antigos limites do cemitério!

Seu nome, a poeira da história, por certo já sepultou, mas sua Cruz é tão viva que, sem cuidados, brotou! Descansa um homem sem nome dentro da cova sem luz... Vencido pelo passado, velado por sua Cruz!

Crédito da fonte: Rodrigo Nolibos Bauer