Restolhos
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O sol emborcou o lume na anca do horizonte, como apagando os braseiros dos fogões do universo... A noite velha imponente num matiz mirabolante, derruba um chapéu de sombras na carranca de gigante...
A mão morena das trevas vai debulhando as estrelas e, estraviando punhados nesse panuelo estendido na amplidão das alturas, sobre meus olhos parados num turismo de amargura...
... O gado rumina o pouso na orla do arroio... Um responso tresloucado se faz ritual olvidado nas cantigas de aboio...
O perfil da lua cheia reflete a imersa magia na margem erma do açude... a indagar os silêncios que vacilante hoje sigo, parece que acabrunhada parou pra cismar comigo...
Os pirilampos, pitando luzes fugazes campeiam rumos e acasos, como reasteando os candeeiros de pálidas labaredas que, saradeam acanhadas em contra dança com o vento, desenhando sombras guenzas de campeiros refugiados em recuerdos sonolentos...
A batida de um monjolo marca a cadência da noite... Onde, há um pilão desocupado socando um bojo vazio e um murmúrio de água mansa com clareza de cristal que o cobiçoso não viu, pra se perder no remanço das águas grandes do rio... ... Com lamúrias e soluços canta triste o urutado... ... A coruja alça vôo ofertando mau agouro à vã crendice que trago... Misto de medo e encanto no misticismo do pago...
Uma imagem taciturna se faz funda na cacimba... Onde há um espelho rodeado de avencas e madressilvas, com quietudes que combinam ao dedilhado tranqüilo, na pauta de uma só nota da guitarra de algum grilo...
A lua, descamba lerda no coxilhão do infinito, por onde surge a boieira com rubro cismarento de sua ronda madrugueira...
... Meus olhos cor de aurora são peregrinos de ausências na madrugada serena... Que chegou branda e silente pra orvalhar a melena, e afugentar as insônias com gotas mornas de pena...
Sim noite amiga!!! Tudo isso já foi meu...!!! - Cada palmo dessa estância é um restolho de mim mesmo... Hoje..., nesta minha alma terrunha só há um vazio de tapera com escombros miseráveis numa atávica quimera...
... Agora..., só silêncio...! Há uma nesga de arrebol preludiando um novo dia, mas, antes da réstia de sol estarei além da porteira na mesma estrada que vim... neste pago hoje alheio sepultarei restos de anseios pra ser fantasmas, de mim...!