Meu Pala de seda
Meu velho pala de seda Todo enfeitado de franjas Ao esvoaçar tu te esbanja Com graça e desassombro Quando te sinto nos ombros De perfume me respingo E alço a perna no pingo Que sai atirando o freio E vou dar o meu passeio Em um dia de domingo.
Ainda me lembro, velho pala Dos fandangos que dancei E os entreveros que enfrentei Contigo envolto no braço Defendi muito pranchaço Contigo meu velho pala Pois num aperto de sala Não brinco nem facilito E até me saio bonito Mesmo num pequeno espaço.
Meu pala eu te venero Como relíquia sagrada Em festas e carreiradas Me foste de serventia Pois quando eu te vestia Com garbo e altivez Fiz isto mais de uma vez Bem pachola e entonado Com a chinóca ao lado Muito atencioso e cortês.
Quantas recordações Meu velho pala de lei Das vezes que te levei Nas gauderiadas secretas E as chinócas prediletas Que contigo agasalhava Quando ao chão me esparramava Fazendo cama de ti E num bárbaro frenesi Muita china acariciava.
E depois dessas carícias Voltava alegre pra o rancho Pendurava o pala no gancho E ficava admirando Saudoso recordando Do que já ficou pra trás O meu tempo de rapaz No aconchego do galpão Tomando um bom chimarrão Com a peonada e o capataz.