Recanto
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Eu busco um recanto de paz e sossego, com campos bem largos, galpão pros amargos e empelegados cepos na volta das brasas. Uma ponta de gado na costa de um mato, a ruminar silêncios... ... que almejo pra mim...
Recanto que busco pra adoçar meus mates, pra esquecer a lida e a turbulenta vida que a cidade tem, regalo campeiro, que os pais de meus pais, a tempos atrás, tiveream também.
Eu sonho um recanto com açude e sanga, e feliz ao sol quente, na água corrente, pescar lambari, eu quero um recanto, escondido lá fora, esquecido do tempo; do tempo das horas, que hoje, agora... ... me torne um guri...
Desejo um recanto de visão extensa, pra ao final da tarde, ver o sol que arde sumir no horizonte, sorver os meus mates, com a água do poço, que muito bebi nos tempos de moço... ... e a sede de infância saciar nesta fonte.
Eu quero um recanto pra encontrar alento e murmúrio de ventos pelas primaveras que vem e vão, percorrer as distâncias do meu próprio ser, me sentir desta terra, qual planta a crescer e ouvir a chuva caindo no chão. Achar meus caminhos, beber das vertentes, que um dia beberam os meus ascendentes, cultivando a terra pra colher o pão.
Meu recanto é um sonho, - talvez um esboço... com o qual me pareço – que amadurece... ... enquanto envelheço, sofrendo saudades, minha alma é cativa das memórias que atiçam estas brasas vivas, acendendo a fogueira dos meus sentimentos.
A cada longo dia aqui na cidade aumenta a distância, alimento esta ânsia, que hoje tão longe da realidade, me faz bem mais triste! Será retrocesso recordar a infância e sonhar com o recanto que não mais existe ? Por fim só um sonho... ... sonhado acordado, na selva de pedras que aos sonhos resiste!!!