Quando Acende a Luz da Alma
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Quando a eletricidade Acaba no interior Acendem luzes da alma E é em meio a essa calma Que vejo o que tem valor
Não tem a televisão Que traz notícia ruim Ouço só o gado berrando E um grilo cantarolando Numa paz que não tem fim
Lá se vai a internet Todos largam o celular Enquanto a chaleira chia Vou sentar com a família Pra algum causo contar
Quando cai a noite escura O céu tem bem mais estrelas Sem luzes para ofuscar Eu me paro a admirar Elas brilhando faceiras
Até a lua pampeana Desponta bem mais bonita Iluminando esses campos Me seduz com seu encanto Que até suspiro solita
Ao retornar para dentro Do meu rancho coração Sinto que volto ao passado Quando acendo ao meu lado A luz de um lampião
E assim eu vou pensando Na vida de meus avós Sem a tecnologia Tendo bem mais sintonia Do que qualquer um de nós
Como devia ser bom Sentar só pra conversar Ou ouvir algum conselho Sem ter nenhum aparelho Para a prosa dispersar
Absorta em pensamentos Eu reflito nessa hora O sentimento me invade E eu pareço ter saudade Desses tempos de outrora
Então penso um pouco mais Outra vez eu caio em si Só por curiosidade: É possível ter saudade De um tempo que não vivi?
Ou será que eu vivi?