Alma em Verso
Poesia

Quando

Apparício Silva Rillo

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Quando o berro do boi fizer-se canto, quando as lavouras se fizerem flor;

Quando a mão de couro-cru do pastoreio estreitar a mão dos homens do trator;

Quando o céu de santafé do rancho tosco continuar no céu de zinco do arador;

Quando a graxa da picanha confundir-se ao óleo mineral do automotor;

Quando a seiva do mate escorrer junta no sol dos vinhos do viticultor;

Quando a verga do arado aparceirar-se ao rastro carreteiro, gemedor;

Quando a palavra "gringo" fraternar-se à palavra "gaúcho", em carne e cor,

renascerá do Rio Grande outro Rio Grande e as diferenças se farão Amor...

Na ponta das picanas de taquara, no cimo dos tratores das searas uma heráldica só tremulará, na comunhão de um pano de bandeira tecido com padrões de sementeiras e heranças de garrucha e chiripá!