Alma em Verso
Poesia

Professorinha

Dimas Costa

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Chinoca, meiga, trigueira, Descendentes das missões, Exigente nas lições, Reclama e briga por tudo. Mas eu fico sempre mudo Ao ver aquela carita, Quando repreende e grita, Numa expressão sedutora. Essa é a professora Do colégio onde estudo.

Que me importa com estudo De história ou geografia, Se eu gosto é da anatomia Dessa prenda encantadora. Eu que sou índio de fora Meio matuto, por certo, Vou decorando o alfabeto Com muita dificuldade, Porque só aprendo, é verdade, Nas lições que ela me dá, Que coisa mais linda não há Do que os olhos da professora.

Esses dias me surpreendeu, Quando mui séria ensinava, Que apaixonado eu a olhava Sem escutar a sua fala. E, por assim eu mirá-la Acho que bem entendeu, Pois de pronto enrubesceu E tomando-me a lição, Diz que por falta de atenção, Me pôs pra fora da aula.

Professora, professora, Deixa de manha, mimosa! Chinoca quando é dengosa Ressalta mais o primor. Desculpa, mas minha flor Entende a minha paixão: Deixa pra lá essa lição E vem comigo, querida, Viver as coisas da vida Num recreio só de amor...

Se tu quiseres mesmo Unir-te em laços eternos, Bota fora os cadernos E vem seguir os meus passos. Se larguemo pelos espaços A procura de um cantinho, Onde ergueremos um ninho Debaixo do céu aberto, E eu morro analfabeto Só pra viver nos teus braços!