Prenda Linda
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Chinoca, quando te vejo Passares na minha frente, Despretensiosa e contente Com um andar caborteiro Que o índio mais matreiro Fica parado e pensando, E no cérebro imaginando De um dia ser teu parceiro.
Teu olhar, chinoca linda, É como luar do pampa, Onde a natureza estampa Uma beleza sem par. E quem não pára para olhar Quando tu passas catita, Gaúcha flor de bonita Que todos querem casar.
Teus cabelos sempre soltos Voando ao sabor do vento, Mais parece o pensamento Que vai saindo da mente, E quem não fica contente Quando tu soltas um sorriso? Parece até o paraíso Ou água pura da vertente.
Os teus lábios vermelhinhos Mais parecendo pitanga, Dessas de beira de sanga Lá no fundo da invernada, Que o xiru quando em tropeada Sobe na grimpa do pé, Só p'ra saber como é Essa doçura encarnada.
E quando eu vou num fandango Não gosto nem de pensar, E se te vejo a dançar Um xote ou um vanerão, Este peito de peão Quase pára de bater Pois assim só no te ver, É grande minha emoção.
Sabes, prenda gaúcha? Eu tenho orgulho de ti. Pois juro que nunca vi Beleza tão pura assim. És a flor, perfume, enfim, Que engalanas meu pago, E se vezes bebo um trago É por não ter-te junto a mim.
Por isso, prendinha linda, Quero pedir-te um favor: Nunca entregues o teu amor Nem caias em unhas de carancho, Pois eu fico meio tiantcho Quando te vejo infeliz Pois sonho em ser feliz Junto contigo num rancho.