Prelúdio ao Canto Alegretense
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Eu já nasci gauderiando: como filho de perdiz, fui dono do meu nariz já descasquei - disparando! Meio solito ou em bando Escolhi os rumos que quis.
Caí no mundo correndo, Procurando, olhando, vendo, tratando de ser feliz sem fazer mal a ninguém, sempre buscando, porém, a tal de Felicidade.
Sei que ela existe à vontade em algum canto por aí.
Saí do meu Inhanduí e virei o mundo do avesso! meio grosso no começo, me afinando mais no fim, porque a vida é sempre assim, tem alegria e tem dor, tem violência e tem amor, tem guerra e também tem paz, só quem vence é o mais capaz.
Quem nasceu pra ser senhor não será escravo jamais.
Atrás da felicidade me fui a grande cidade como uma abelha na flor, buscando estudo e verdade sempre escolhi professor me deram anel de doutor!
Foi lindo mas não foi tudo queria mais que o estudo, queria, a felicidade. Será que ela mora longe?
Busquei paz na religião, eu não nasci pra monge mas gosto da comunhão.
Andava meio perdido, dando volta sem sentido, mas sempre voltando aqui, aprendendo com as crianças, renovando as esperanças dos meus tempos de guri.
Outra vez o Inhanduí!
Ah, querência, como dói, ser bandido e ser herói, ser beija-flor e gavião: na mão esquerda e no peito a forma do amor perfeito na cuia de chimarrão e a forma, menos perfeita, da arma na mão direita impondo juízo e razão.
O importante é voltar o importante é amar! foi assim que envelheci... o meu amor está aqui nesta terra neste chão, na forma de um canção que brota do coração como perfume na flor.
Por grosso e encabulado eu não sei falar de amor mas é preciso falar, é preciso até gritar, vencer o encabulamento.
Agora, neste momento, a minha voz eu reclamo e aos quatro ventos proclamo gritando alto e sem medo o que nunca foi segredo: Alegrete, eu-te-amo!