Alma em Verso
Poesia

Pra Quem Mateia Solito

Marcio Gomes e Getulio Silva

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Enquanto mateio solito Vou agrupando saudades, Em busca de realidades, Paleteando as duras lidas Sofrendo mágoas perdidas Onde o silêncio e os ventos, Amansam meus sentimentos, E compreendo melhor a vida!

Vou tropeando o pensamento Cavalgando na vontade, Sorvendo só a verdade, No açude da esperança Ao tombar a noite mansa, Campereio meu destino, O sonho me fez menino, Cabresteado de lembranças.

Fui me embretando no tempo Que o amargor me levava, E a infusão que eu tomava, Com telúrica emoção Junto ao fogo de chão Dei asas ao pensamento, Palanqueei o sofrimento, Com meu mate-chimarrão.

Um desejo escondido Na quentura da cambona, A saudade redomona, No peito de quem mateia Meu coração escarceia Quando bato o tição E a seiva da tradição, Dentro de mim corcoveia.

Meu companheiro calado Introspectivo pôr excelência Traz o amor da querência Que sorvo em cada trago Teu calor é o afago Que vai cruzando divisas, Chimarrão, tu simbolizas As coisas vivas do pago.

Cabresto de ternura xucra Do amargo tão gostoso, Que por vezes malicioso Num mirar de relancina. Deixa preso na retina, Como a desvendar segredos, Gesto oculto, de tocar os dedos, Que prende o olhar da china.

Meu amigo mate-amargo Com sua mística vivência, Que traz na sua procedência, Recordações do passado. Em silêncio tenho gritado, O que p’ra mim representas, Um rio verde de água benta das tradições do Estado!

Nos últimos roncos Deste xucro mate-amargo, Horizonte a dentro me largo, E vou bebendo lonjura Num xucrismo de ternura, Deste atavismo tão grande, Que no teu sabor se expande, No saber e na cultura.

Depois de matear bastante Te guardo cheio de ciúme, És tradição e costume, Do nosso pago bendito. Que se alastra ao despacito, Sempre em cada cevadura, De algum recuerdo amargura De quem mateia solito!!!

Cd e livro a ser lançado no Festival em 18/12/04