Prá Cevar o mate, Bombear a Estrada e Sentir Saudade
Publicado em
A bruma mansa, já pairava ao parapeito das casas, na hora em que’u cevei o mate; Os oscos cernes lentamente, se faziam brasas... E essa fusão milenar me prendia as retinas em seu “ruano braseado”, que repontava longínquas reminiscências, ...o mate quente, amansava a manhã lobuna... e seu “doce amargo”, retemperava as minhas ausências.
A alma que ostentou o alcunho viver tropeiro, hoje é caseira de si mesmo; a velar a própria silhueta que se tolda em meio à amplidão do galpão; e o lume que adentra as suas frestas... me chama à janela... e meus olhos, “antigas testemunhas” se apresilham à estrada, que ainda ontem, era meu “agora”, mas que agora é o meu “ontem”...
A mirada saudosa, faz da janela “moldura” para enquadrar a imagem empoeirada da estrada – que a tempos vejo, mas que não percebo; Por ela se foram meus dias de tropa, assinalados das intempéries, embalados por cantigas de arreios e vislumbrados pelos cenários crioulos dos rincões que andei.
Com o flete pela rédea alisei o cambão das porteiras, co’a meia-sola da bota corroí a forração do estribo... ...o meu poncho castelhano foi qual flor nas primaveras ao se abrir no campo afora; e de sombrero, culeiro e espora, formatei a mais rude estampa pelos corredores e estâncias, rumando tropas e tropilhas guiando sempre do cincerro da madrinha.
E ao regressar de reculuta de minhas remembranças, desapresilho os olhos, que eram fitos na estrada, enquanto sorvia silente; ...recosto-me ao pé do fogo... viro a erva...aparto a cambona... ...solito, vivo a minha verdade. A alma por fiel a antigos recuerdos ganha o vezo de ruminar velharias e de se achar peleando contra si mesmo por esses embates de saudade, que se chegam da estrada, na hora em que cevo o mate.