Alma em Verso
Poesia

Pela mão dos outros

Maximiliano Alves de Moraes

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Hoje quero falar de mim! Nunca foi assim, Sempre falei pelos outros, Por aqueles que sentem E, por mim, se expressão... ................. Eu já andei pelo mundo, Singrei por mares profundos E no alto deles muitas vezes me feri, Não resisti e por mágoa naufraguei!

E quantas ganhei ar Pela vontade de alguém Que talvez lá no seu íntimo, Como ave passarinha, Desejasse voar também!

Peleei, arrisquei a minha pele Para defender a honra Que eu nem sabia de quem!

Fui homem sendo mulher Sem perder o meu valor, Pois quando a lida requer É preciso sim senhor!

Por corredores tropeei E em sentados de coxilhas domei. E foi galopeando potros Que pela mão dos outros Surrei alternado, Cortei de esporas E, muito bem amadrinhada, Quase sempre venci...

Mas também caí e a dor do tombo, Que embora não sendo meu, Doeu! Doeu muito forte em mim!

Sempre levantei, Bati poeira, quebrei chapéu, Olhei pra o céu e prossegui... Guiada por uma estrela, Meu fado, meu universo, Num cruzeiro de versos, Espaço onde posso tê-la!

Fui triste ante à amargura E alegre quando preciso, Quando a imagem de um sorriso Se estampava na poesia!

Derramei lágrimas por outros E ao fazê-lo fiz chorar, arrepiei pêlo, Me deixei levar pela alma, Saí de mim e me entreguei....

Desafiei a sorte, Provei da morte e como um mago Renasci... Matei e paguei mil pecados, Os quais nunca cometi!

Tomei mates alheios, Namorei ocasos e de olhos rasos Mergulhei em saudades. Machuquei meu coração Por outras dores. Perfídias de amores Cometi sem compunção! .................. Não, eu não enlouqueci, Apenas decidi, Hoje quero falar de mim! ...................

Já estive perto de Deus, Peregrinei no inferno E num dia lindo, De primavera, Encontrei amor eterno!

A esmo me perdi de mim mesma, Campeei horizontes turvos, Desbravei novos rumos E fechei porteiras dolente. Consciente de em outra Retornar para abri-las...

Na guerra fui forte Ao defender uma terra Que tomei como minha Sem pisá-la. Ergui bandeira de paz, Atrás de uma utopia Que na luz de um belo dia Em fato se transformou...

E quantas me despedi, Talvez mais do que voltei! Pois quem sente exalta a pena E pouco expressa a ventura! Eu fui sempre a criatura Pela mão do criador! ............................... Agradeço a atenção E quero dizer ao mundo Que toda minha expressão Vem de um lugar interno, De um fundo de coração.

Eu quero falar ao mundo De uma dádiva encantada Que Deus me fez portadora. Pela mão dos outros Eu dou vida à poesia Porque sou DECLAMADORA!