Peão de Estância
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Eu vejo cristo em cada peão de estância, E em cada estância um horto permanente, É sempre véspera de cristo morto, Por quanto ajudas, o destino torto Beija-lhe a face, traiçoeiramente.
Eu vejo cristo em cada peão de estância, Irmãos pelo destino muito igual, Conduzem tropas sem olhar o pêlo, Apartam mansos para ter sinuêlo, E marcam pela fé e pelo sinal.
Nas rudes mãos quando se aquece o fogo, A igualdade do gesto que abençoa, No jeito manso e nos sinais estranhos, A presença de amor pelos seus rebanhos, Mesmo que seja uma tropinha atoa.
Pastor que se preocupa e sai em busca, Da ovelha que do rumo desgarrou. E quando a encontra acorda outros pastores. Quer que eles saibam dos reais valores, Da que caiu e que se levantou.
Nos seus entendimentos de índios brutos, Na vida o que lhes tem maior valor, São os humanos estas criaturas, Carentes de carinhos e ternuras, Desiludidas e pedindo amor.
Talvez nem saibam que Jesus existe, Mas são iguais... exatamente iguais Ao cristo que morreu no santo ofício, De salvar seu rebanho ao sacrifício, Das mazelas de todos os mortais.