Romance de Lua Grande
A noite traz seus encantos... Vestida em ponchos de luz, E a um par de olhos, seduz... Tisnado a prata de um manto... Que inunda as flores do campo, Entre perfumes de açucena... Quando sonhar vale à pena, O amor é tropa em reponte, Bebendo a água da fonte... Dos lábios de uma morena;
Encilho belas lembranças... No potro de uma saudade, Quando tua imagem invade, No corredor das distâncias, Matreiro como esta ânsia, Que minha alma atropela, Quando a lua mais bela, Vestida de véu e grinalda... Pelo horizonte desfralda, Pra se debruçar na janela;
E ela me traz uma imagem, Com olhos em cor de jade, Qual a mais bela divindade, Que enfeita esta paisagem, Bendita sejam as miragens, Que dão vida às madrugadas, Espelhando-se nas aguadas, Que ao campo descortina, Para alimentar as retinas... Num véu de noite, estrelada;
Daqui, de onde te vejo... Por entre os galhos do arvoredo, Guardando nossos segredos, E algum sonho, de andejo... Eu sinto o gosto de um beijo, Timbrado em ouro e metal, Quando um majestoso ritual, Unia o calor de quatro mãos, Que chega aqui pr’ao galpão, Com o cheiro do aguapezal;
Que as horas longas que passo, Aos tombos com a solidão... Atiçando um fogo de chão, Que já não aquece o espaço, Só o calor dos teus braços, É que me trazem acalanto, Enquanto um grilo faz canto, Num contraponto de cigarra, Pra alma soltar as amarras... E os olhos inundar de pranto;
Quem diz que homem não chora! É porque não sabe o que é amar, Como pode não poder chorar! Se as lágrimas, é um rio corrente... Quando a alma da gente... Transborda na inércia da dor, Por saber que àquela flor... Que era a parte doce da vida, Partiu sem uma despedida... Pelo vazio de um corredor;
E nestas horas de ausência... Que o galpão veste-se de luto, E até o silêncio eu escuto, Martelando minha consciência, Talvez exista uma ciência... Pra um amor que perpetua, Com a noite banhando nua... O manto santo da aguada, Pra’os olhos ternos d’amada, Virem espelhar-se na lua;
Mas ficaram flores murchando, No que restou de um jardim, E outras, que havia em mim, Viverão não sei até quando... Talvez estejam esperando, Bem antes que a noite finda... Ver o corpo da minha linda, Estendido sobre um catre, Ou afogando uma saudade, Num mate de boas vidas
Que o tempo tenha levado, O que eu deixei pra depois, E o rancho que ergui pra dois, Possa até ser habitado... Pois, se for do teu agrado, Boto a encilha num redomão, Enfreno um potro coração... E dou um destino pra gente, Vendo patear em teu ventre, Um pithãozito chorão;
E daí, eu farei poemas... Na clave de uma lua cheia, Enquanto o vento ponteia... Nas folhas das açucenas, Se vida anda, pequena... Para tanto amor que trago, Talvez ao mundo me largo, Qual um cometa errante... Para ser-te apenas, amante, Nas noites mornas do pago;