PASSAGENS
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Recordo tantas passagens neste viver de peão, Que por vezes me pergunto: “Quantas ainda virão”? É o jeito antigo que tenho, e que bem sabem os meus, De refazer o caminho pra estar mais perto de DEUS.
Ao de redor do braseiro me paro mais pensativo, Olhando a vida de longe porque me sobram motivos. No respingar da cambona, que vai molhando o topete, O mate é parte de um ciclo onde tudo se repete.
Nascer é parte daquilo que já nos foi concebido, Posto que os olhos se abrem para o que for percebido... Como se tudo voltasse por conta do que existiu Levando o ser novamente ao ponto de onde partiu.
O labutar recomeça todos os dias, e assim... Vou a cavalo de encontro ao que faz parte de mim; Pois, meu estado de espírito, reencontrei neste plano, Na condição de querência, d’onde voltei ser humano.
Mas, sempre levo comigo uma saudade incontida, Que marca várias passagens com chegadas e partidas, E vejo nas despedidas, das tantas que a vida tem, Que ela se faz de quem parte, e de quem fica também.
De um lado ao outro da vida, um eterno vem e vai; Uma lembrança, um sorriso, uma lágrima que cai; No ciclo, enfim, das esperas, entre o antes e o depois... Há um sentimento constante, igual a um marco entre os dois.
Daí se explica esse jeito de reviver um momento, Mesmo só por um instante, através do pensamento; Os desencontros são fatos nesta sina de andar, Cuja falta que sentimos, depois de nós vai ficar.
Quando o silêncio transporta o homem pra dentro de si, Deixa o olhar mais distante, como fosse além daqui... Onde os “recuerdos” revelam o sentido da existência, E a matéria não separa espírito e consciência.
São circunstâncias do tempo, que pela mão nos conduz Os caminhos que, em verdade, se mostram plenos de luz... Sendo que a alma da gente, por certo sabe a razão Que nos leva em rumo certo, ao sem fim da imensidão.