Alma em Verso
Poesia

os de lança e guitarra

Marco Aurélio Campos

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Quando as éguas já não derem mais cria nem cresçam mais as canas da taquara; quando nenhum garrão saiba de esporas com o luxo em cabrestilhos de ouro e prata. Quando não mais se saiba ou sinta a poeira de uma cavalaria inteira numa carga; quando ninguém já não entenda nada de rodeios, de tropas, de soalheiras. Quando já tenham ido para sempre os gaúchos centauros da minha raça; os que por profissão faziam guerra e que por ideal fizeram pátria. Os que deixaram sob o sol da vida e sob a luz da lua serenatas; os de histórias de amores e entreveiros nas patriadas os de lança e guitarra. Quando já tenham ido para sempre sob o auri-verde intrínseco da glória quando o último gaúcho haja morrido delirando com cargas sem história. Eu tão somente que saberei então aonde encontrá-los os mesmos sempre cara, pingo e lanças eu tão somente que saberei então aonde encontrar os de lança e guitarra. Hei de encontrá-los lá no céu da glória mundo tranqüilo e celestial das almas porque este mundo ficou mui pequeno para a menor de todas as suas cargas. E estarão lá a galopar nos ventos relâmpagos pro lanças e, nessa hora, hão de pechar as nuvens com seus fletes num retinir de estrelas por esporas. E farão trepidar o nosso céu na carga heróica e eterna até o nada e estarão junto de Deus, bem perto e vigiando sempre os de lança e guitarra

Crédito da fonte: Marco A Campos