Alma em Verso
Poesia

O Tordilho do Clarim

Aureliano de Figueiredo Pinto

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em potro, tordilho negro. com os colmilhos clareava mas ondeando escuras manchas como águas turvas de rio.

tinha as órbitas salientes e ao fundo dois olhos negros miniaturando as paisagens de campos, céus e lagoas.

largas narinas abertas para aspirar todo o pampa. e ressoplar a alma inteira quando o clarim embocando o índio imberbe transmitia num tropel que o chão abria ordens de carga e degola.

o caudilho escalonou uns quatro ou cinco esquadrões na concha de uma canhada para, à senha combinada, coroarem a coxilha, medirem bem o inimigo que a marche-marche investia. e logo, lançante abaixo assentarem um golpaço nos flancos da infantaria.

la pucha! o índio sem barba toda a gadelha ouriçando lá da concha da canhada floreava o clarim tocando.

primeiro num trotão largo, depois num galope curto até coroar a coxilha desbordando a linha rala dos que queimavam cartucho. e, do tope, o tropel seco dos cascos rufou o chão como oitocentos tambores.

ah! tordilho! parecia uma figura de livro! dessas estampas que contam de umas famosas batalhas com generais campechanos.

as balas vinham chegando batendo a cavalaria. com uma ao flanco o flete bueno escarrapachou no chão e sentou-se relinchando com um fio de sangue nas ventas.

lá se fora o índio sem barba na garupa de outro quebra com o clarim relinchando.

de anca ao chão, guapo pingaço, com uma das mãos escarvava como escarvava ao palanque ganoso para um galope.

depois... de plancha estendeu-se. já nem se ouvia o clarim! e os olhos foram vidrando como se um poncho o cegasse para atirá-lo num rio...