O Sumiço do Bugio
Publicado em
Correu na boca do povo, nos balcões de pulperia… Deu na rádio… no jornal… mas nada se descobria. Não se sabe o paradeiro, pois de fato ninguém viu; têm cartazes pela praça: “PROCURA-SE O BUGIO”.
Nas rodas de mate doce as patroas têm falado: – “Se fosse nós no comando, total que já tinha achado!!!”. Eu aposto que este cuera – teatino barbaridade – se enredou nalgum cambicho lá nas luzes da cidade…
Quando deram por sumido, já fazia uns quatro dias que não tinha movimento dentro da casa vazia. Nenhum bilhete ou aviso… Mistério no vizindário… Até que veio o Faéco e chamou o comissário!
Ficou um copo de vinho pela metade na mesa… Um rádio chiando baixo… Na sala uma luz acesa… De certo saiu com pressa no escuro da hora morta; ninguém lhe viu de partida e sequer “cadeou” a porta!
O Bugio era afamado nos bailes de antigamente. Em galpão que ele tocava sempre “entupia” de gente… Mas chegaram outras modas, novos sons e novas danças; e o Bugio já não tocava nem em festa de criança…
… E talvez seja por isso que o Bugio quis ir embora; por mais santo que se seja,
só faz milagre um de fora! Nunca mais lhe convidaram pra um baile… um casamento… que até mesmo sua presença se perdeu no esquecimento…
Formou-se uma comitiva para campear o Bugio nos matos, furnas e cerros; também na costa do rio. Até porque, certa feita, (me lembro bem desta cena) ele cruzou o Jacuí no rastro duma morena!!!
Juntei maneia, sovéu, bodoque no cinturão, e encilhei meu petiço pra ir atrás do fujão. Também levei a cordeona, atada firme nos tentos, pra entreter a milicada se acaso um acampamento!
Já vinham uns desistindo, outros dizendo “morreu”; quando apeei na tapera e quem achou ele fui eu! Dormia o sono borracho depois de dias de festa; trago e dança à moda antiga num bailongo na floresta.
Ainda quis briga comigo; mordeu o petiço nas “pata”… Mas trouxe ele pra casa maneado dentro da gaita! Cheguei no povo faceiro, ganhando aplausos das donas, e o Bugio vinha roncando no fole da minha cordeona!!!