O QUE PROCURO...
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Não está à mercê das traças nem da poeira insistente... Não se encontra dentro de algum livro Nem colado nas folhas de um caderno. O que procuro não está nos envelopes velhos, nos jornais antigos Nem nas entrelinhas dalgum rascunho riscado...
O que procuro não está aqui, não está ali, não está acolá... Simplesmente não está!
Sombras são parceiras, mas me assustam... Elas são sombrias! O meu reverso se projeta nelas contraponteando o sol Pois minhas estrelas são cegas e não acreditam no céu...
Não! O que procuro não está no céu! O que procuro me sangra, me cospe, me escorraça, Simplesmente por não estar.
O que procuro não está no campo, não está no mate, Não está em Deus...
Meus labirintos sustentam mil minotauros famintos, Devorando minha vida fatia a fatia, Injetando fogo e ácido em minhas veias... Não! O que procuro não está em minhas veias! Não está em minha pele, em minhas entranhas Nem verte pelos meus poros...
O que procuro não está aqui, não está ali, não está acolá... Simplesmente não está!
Estranha esfinge me sentenciou: -Não me decifras nem te devoro! Não compreendeu quem eu sou Nem as poesias que choro... A esfinge não enxergou O que havia em meus olhos.
E eu ri! Ah, como eu ri! Ri engasgado nos meus próprios demônios, Afogado nas minhas angústias, Enredado em longos cabelos!
Eu ri! Ah, como eu ri! Com toda a dor que é possível, Com todo o fio que retalha... Com toda a cruz de um ateu.
Ri com a graça de ser mais um Julgando ser diferente, Já enterrado até os dentes Em uma vala comum!
Não! O que procuro não está na vala! Não está nas nuvens, não está nos sótãos, Não está no barro... O que procuro não está nas cores, não está nas flores, Não está no chão. O que procuro está tão fundo na alma E tão longe das mãos...
O que procuro não está aqui, não está ali, não está acolá... Simplesmente não está!