O homem de Julio
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Bateu à minha porta quase maltrapilho, vinha saber se eu precisava de um peão campeiro: "sou de Julio, muita tropa toquei por São Martinho, do lombo do cavalo criei filhos". A história é sempre a mesma: já não tinha família, um a um se tinham ido, garraram mundo a esgrimir a sorte. As tropas gordas foram escaceando e o caminhão lhe arrebatara o ofício. Quando a velha se foi, vendeu cavalo com arreio e tudo, pras despesas. Olho-o com ternura: do centauro resta apenas a metade, (a metade de baixo foi vendida). Quero ser gentil: quem sabe a caseireada, cositas leves, atiçar fogo, varrer pátio, a bóia dos cachorros, botar vac... Tive de interromper, sua expressão mudara, deixara o ar saudoso, tinha ferros na cara. E então, num repente, tomado de desprezo, fez meia-volta e se foi, pisando duro.