O Ciclo da Espera
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Olhos longe, no verde das coxilhas, a espera pelo filho a cada tarde, como se ele voltasse das guerrilhas e não de seu ofício de campeiro. A comida do fogo, um mate pronto. No peito, a angústia... a incerteza de quem carrega a sina de esperar.
Tanto esperara pelo pai, outrora, que se fora pelear em uma escolta. Até que o vira, então, chegar de volta e ser posto sem vida sobre a mesa. Quando em silêncio foi levado embora, ficaram o desespero e a certeza que em vão teria sempre de esperar.
Passou o tempo.... e seus irmãos se alçaram, a barba rala mal sombreando a cara, a desbravar caminhos desta terra. Riscando o ar com lanças de taquara, ansiando a paz, foram fazendo a guerra.
E os esperou em vão... nunca voltaram. Talvez, apodreceram sobre os pastos, entre lanças quebradas e bandeiras. sem consolo de prantos ou saudade. Sem nem saber que ás vezes a verdade morre de olhos vendados e sem glória, pois é o que mata quem escreve a história!
E, no ciclo dos dias e dos anos, de outra feita trouxeram seu marido atravessado sobre o malacara, ensangüentando pilchas e arreios, morto de uma bolcada num rodeio.
Só lhe sobrara o filho, seu arrimo, para voltar a cada entardecer. A panela no fogo, o mate pronto. Olhos longe, no verde das coxilhas
e a angustiante sina de esperar... Hoje, porém, passados tantos anos, o piá de outrora é um guapo calejado que a vida cascoteou em suas andanças. Cresceu domando a sorte, na estância, fazendo changas pra ganhar uns cobres para o sustento desse rancho pobre, onde atrelou bem cedo seu destino.
Certamente, ao voltar, neste sol-pôr, há de custar a crer no que o espera. Nenhum sinal... silêncio de tapera... o fogão apagado...a porta aberta... Sobre o catre de couro recostada, a que fui filha, irmã, esposa e mãe daqueles que do rancho viu partir para esperar em cada entardecer, não esperou o filho...Pra morrer.