Nos Pagos de Faz de Conta
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Nos pagos do faz-de-conta todo piazito e patrão, calça botas de garrão, fuma palheiro sem fumo, e sem arreador reponta, solito feito charrua, tropas de sombras sem lua, gritando pra rês da ponta.
”Segue a trilha, foi sem guampa... Pra coxilha, vaca pampa... Te comporta, mano velho... Manada que nasce torta, endireita só no relho...”
Olando para os escuros, inventa um rumo e se vai; solta a voz num “Sapucaí” detrás de umbus sem taperas pr’afastar os esconjuros; e com grilos ribanceiros aprende os cantos ponteiros dos verdes e dos futuros.
“Segue a trilha, boi sem guampa... Pra coxilha, vaca pampa... Te comporta, mano velho... Manada que nasce torta, endireita só no relho...”
Até que pia ficxa taludo, e loucoi pra’alçar a cola, bombeia longes, pachola, com ares de bem-te-vi, proseia que sabe tudo; domar potrancas e a vida. Quebra o cacho, e na partida, monta em pêlo um medo mundo.
Na ida, os sustos e a estrada, batem na marca pra frente, e a pua escreve um presente, tempos que tempo detém; o dia e noite assombrada, e a noite é laço pros dias; como se fossem as crias, que o sol aponta pro nada.
Perde seus passos primeiros, tangeando amores teatinos, e vai changueando destinos de luzes, malas e rezas; e entre risos caborteiros e canhas de marca boa, assunta conversa á toa, pra namoros candongueiros.
“Pelotando” céu e rios, cincha, rima e ilusão, dedilhando no bordão, farrapos de serenatas, e segue a charquear vazios, lembrando o nome de alguém, nos fantasmas em vai-vem, de sotaques arredios.
Nas águas da madrugada, o frio é mais chimarrão, e o orvalho estupra o chão, os telúricos verdejos. Em cada pata encharcada a volta nunca tem fim, e fica roncando um “sim” nas ervas d’outra mateada.
Pampa e azul, parceiros de serra e mar... Pampa do Sul, onde as trilhas de voltar?
Carcaças têm boitatás, que o sonhos mente alcançar nas lagoas do luar, e nas fontes do silêncio arrodeado de taiás; e em vivas rotas de trilhas onde as almas das coxilhas, s’engravidam co’os sabiás.
Para onde namorar, reponta contra as correntes, buscando altura e nascentes, feito cardume dourado. A cada recomeçar, qual nuvens castrando estrelas, com lombo alumiado a velas, pede pro rio esperar.
E as águas do rio, em cio, com relinchos de bagual, navegando vida abaixo, fazendo do berço um curral...
Horizonte corujão, mergulha ranchos e gente, tingindo com sangue quente, a foz de rios sem volta. A cada calo de peão, Minuano grita um apelo, e agita língua de gelo, nas caseiras do fogão.
Traz escarceando as auroras, a contagem e o suor, e o sulco gringo e a dor de pegadas sem fronteiras. E no orgulho das esporas madrinhando eguada altiva, repete esfinge nativa do eterno andejar das horas.
A ronda dum Deus amigo, sempre escora um índio vago, e o calor e a cor e o afago, de guaranis e imigrantes, os cabrestos do inimigo, não são bucal nem maneias, porque segura nas veias, a seiva do verde antigo.
pra quem tropeia solito, quelquer distância é querência, saúda é poncho de ausência inventando arranchamento; as loucuras de mancito, pampeando recuerdo lento nas perevas do cusquito.
Quem sai como que a-la-cria, caçando as próprias lembranças. Afina o tom de tardanças, alguma copla esquecida. No violão da fantasia, chora a luz do entardecer, e sente o pampa crescer tropeando a barra do dia.
Em cada pedra a paixão, acorda acordes dormidos, juntando versos perdidos ás cinzas d’outros foguitos. Pelego e fogo de chão, recriam velho ditado: “Onde huve fogo vexado, se term fumaça, há tição.”