Alma em Verso
Poesia

Natal Gaúcho

José Itajaú Oleques Teixeira

Publicado em

No meu Natal de gaúcho Vou evitar imposições Que contrariam tradições De um nascimento sem luxo De Quem agüentou o repuxo Pra salvar a Humanidade. E não é com falsidade Que irei comemorar o Seu Dia, Pois em Belém não existia Neve branca da vaidade!

Vou me apartar da ignorância E não vou trocar presentes Nem abusar de bebidas ardentes. Ao Menino Jesus criança É que estarei homenageando. Não vou continuar negando Um de seus ensinamentos, Pois só a materialidade Sem a espiritualidade É negar Seus Mandamentos!

No meu Natal campesino Não quero a melancolia Das músicas próprias do Dia. No meu clima Natalino Vou preferir Nativismo A qualquer ritmo estrangeiro. Vou festejar bem faceiro O Aniversário de Cristo. Por isso nisto eu insisto: O meu será som campeiro!

Obrigado é pau de arrasto Já diz o velho ditado. Tiro dado, bugio deitado; Das incoerências me afasto. Não seguirei o nefasto, pois sou gaúcho e existo. Por isso, também eu insisto: No meu Natal de Gaúcho A mesa campeira sem luxo É o meu presente pra Cristo!

Na minha ceia campeira O arroz e o feijão preto, A carne gorda no espeto, Na vaza da carneadeira; Frango caipira na assadeira, Peixe assado com pirão. Na volta um bom chimarrão Para aliviar a fastia, Porque não interessa a iguaria, O que vale é a intenção!

Por isso eu me liberto Desses costumes impostos E os procedimentos propostos São pendentes para o certo. É com o coração aberto Que este "boi de tropa" berra. E o seu mugido encerra Um grito de liberdade, Pra que tenhamos, campo e cidade, Um Natal de Nossa Terra!