Na Incerteza da Espera
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I Chininha levantou cedo Abriu com calma a janela, Tinha um semblante de medo No fundo dos olhos dela.
Olhou pras bandas da estrada, Com ansiedade no olhar, E antes a certeza do nada Chininha pôs-se a chorar.
Era domingo e de novo O João viria do povo Para a cancha das carreiras?
Ou será que as esperanças Iriam com as sangas mansas Como a flor das corticeiras?
II Coração batendo aflito De incerteza e saudade, Pois o João anda esquisito Depois que foi pra cidade.
De fato, nunca entendeu, Porque João se foi embora, Pensando que a esqueceu Chininha soluça e chora.
Lembrando do beijo roubado O rosto rubro, corado, Aninhado em seu regaço.
E a promessa de que um dia João, pra sempre, a levaria, Na garupa do Picasso.
III Chininha, agora casada, De tanto olhar da janela Desce em silêncio na escada Vai esperar na cancela.
Debruça os olhos molhados De um verde, tal como os pastos, Solta suspiros dobrados, São seus sonhos quase gastos.
A cancha movimentada, Chininha desesperada Mordendo a ponta da trança.
Mas, enfim, lá vem João, Traz amor no coração, E um sorriso de esperança.