Alma em Verso
Poesia

NA ESPERA DE UM TALVEZ

Francisco Rollof

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A saudade desencilhou seu flete Na cancela do meu rancho... E desde então os meus olhos Ficaram rumando a esmo, Tentando te reencontrar...

Me fiz dor e nostalgia... Busquei respostas ocultas Pra entender tuas razões... Então chorei minha amargura, Tentando me conformar!... .........................................................

Eu te entreguei meu coração E recebi teu desamor! Sobraram teus rastros no pó... Ficaram tuas marcas em mim... E hoje, me lembro, enfim: Nos dois, éramos um só!

Não sei por que te ausentaste De tudo que era nosso... Tento esquecer tudo em ti... Mas não consigo, não posso!

Queria te ver uma última vez... Ao menos pra perguntar-te Dos porquês que não entendo... Queria olhar teus olhos E sentir se ainda sente O que sentimos apaixonados...

Queria dizer o que não disse... Calar o som da solidão, De um peito tão sofredor! Meu coração, de saudades, Ouviria tuas verdades... Talvez, assim, entenderia meu pranto, Meu desabafo e minha dor!...

Como eu sonhei... Éramos duas crianças...

E hoje me vejo, a reerguer-me da poeira, Juntando os cacos de mim... ..................................................................

Eu te quis com o mais forte dos amores... Eu te quis com alma e coração...

Vivemos instantes tão intensos Que me fizeram acreditar Que eles seriam eternos!

E quando mais eu precisei Dos teus carinhos e amores, Recebi tua indiferença Com alma de dissabores...

Eu precisei tanto de ti... Como um cometa precisa do céu... Como a flor, precisa da água... Como os anjos precisam de Deus! ................................................................

Preciso acreditar no futuro... Não posso acreditar em nostalgias De um passado de sonhos, Que cegou meus horizontes!...

Eu, agora, me vejo sem chão... Perdi rumo, perdi meu norte! Te entreguei meu coração... Desfrutei de teus encantos Me entreguei aos teus caprichos, E esqueci de minha razão!

Por que, então, me deste asas? Por que alimentaste meus anseios? Por que? Por que?

O tempo apagou teus passos... Restaram apenas teus silêncios... ............................................................

Inda lembro tuas carícias... Tropilhas de amores Nas madrugadas insones...

Como eram bons os teus afagos, Como eram bons os teus amores...

Teu beijo, teu cheiro, Ainda estão presentes Molhando os lábios meus... ............................................................

Ah... saudade... Seria ela a se arranchar? Que chegue, mas não sozinha... Que traga junto o desapego, Pois não quero mais chorar...

Eu não mereço este pranto! Eu não mereço este ardor... Preciso me levantar! ...........................................................

Meu horizonte se acabou, Mas quando cheguei ao fim, Enxerguei novo horizonte...

Então, eu percebi Que além de um horizonte Existe outros e outros...

Vou seguir o meu caminho, Sem esperar o teu amor... E que os ventos do amanhã Tragam de volta minha paz, Pois sou mulher e sou capaz De renunciar um depois!

Por isso, Senhor Saudade, Se pensas que estou na espera De um talvez ou de um depois, Faça um mate bem cevado E te assente acomodado Pra matear com o dissabor...

Não vou chorar por desencanto... Vou secar todo meu pranto, Minha angustia e desamor, Pois quem me fez chorar assim, Não teve pena de mim E não merece o meu amor!

Chico Roloff, Lua Cheia de Novembro de 2009

Crédito da fonte: Francisco Rolof