Mulher Campeira
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Eu sou a mulher gaucha Que ama a vida nos campos Entre flores, pirilampos Cuido de casa e jardim E dois lindos piazitos Que o patrão lá do infinito Deu de presente pra mim.
O meu peão é um gaúcho Guapo, das lidas campeiras, Domador, e bom ginete Entende tudo de campo De cada palmo desse chão, Traz o sol dourando a pele, E um riso largo, como um céu sem nuvens Um misto de rudez e coração.
Eu sou feliz, nesse recanto, A colcha verde dos campos Bordados de primavera Girassóis trazendo ouro Para o néctar das abelhas, Sou rica, tenho tesouros No trono da natureza. Nuns olhos mansos profundos Do meu peão guitarreiro Mesclas de anjo e guerreiro Herói de um pequeno mundo.
Esse rancho, é mais que um sonho, Tem raízes verdadeiras Nessa origens campeiras, Pago sul, bravo e altivo Que junto a ele cultivo Com força, coragem e fé De um dia ver mais crianças Cultuando a tradição, Pra o meu pago-coração Ser maior do que já é.
Meu taura gaúcho pampa Que traz na estampa a identidade De um verdadeiro campeiro Na singeleza do ser. Entende o canto das águas E, os silêncios de prece Que a natureza traduz Como guirlandas de luz Quando a alma se transcende. Na voz um tom de brandura Vem acordar a ternura Que mora dento de si.
A tardezita ele chega E o mate já esta cevado, Bota um piá de cada lado E conta fatos, e feitos, Num retrato do passado Escrito a ponta de lança, Pra que amanhã também tenham Orgulho da nossa história. Há tanto amor em seus olhos Que emociona e encanta Me sinto quase uma santa Por merecer tanto amor!
Depois abraça a guitarra E canta como ninguém E aquelas mão calejadas Parecem toques de fada Numa lira enternecida Querendo alcançar o céu, Com asas azulecidas. E no altar do meu coração E´ a sinfonia dos anjos Num hino de amor á vida.