Por Não Viver no Poema
Não busquem pelo poeta na teia crua do verso. Fantasmeiros figurantes ressuscitam gastas lendas, sombras... assombram taperas. Habitantes do poema construíram sua aldeia onde os fletes da poesia desafiam Vesta e Cronos. Poetas, bardos, profetas não povoam labirintos ante-salas fumacentas poeira, fumo, absinto mangueira, pasto, pealo. Não encontrareis o poeta nas contravoltas do poema casulo de metonímias, fagueiras, chinas ribeiras. Seis cordas de Andaluzia en la noche arrabalera ventos voejam metáforas no céu de Erato e Polínia. Um vago troca de ponta por “le gustar un malino” homens, aves migratórias poetas movem luzeiros não há lugar no poema! Bandoneon em reculuta amores em contradança nuvem de álcool, ausência um tango canta Gardel. Vetustos vultos revivem múmias de pó e pachulli byroniano cabaret... tinha vida a divisória viviam poemas por lá!
Troveiro derrama ausências desditas derretem lenços lunar perdido nos olhos olhar de lua minguante. Musas habitam poemas poesia, mundo em agito pulperias, vilas, becos poema mundo de todos Poeta não tem lugar! Torena pego “a lo bruto” num tiro de sobrelombo cantiga de tiro largo, cantata gravada a ferro nudez no fio da palavra. Habitam mundos diversos os tantos seres do verbo implacável vaticínio não há lugar no poema! Foi o verbo! Será verbo! dos aedos a Santos Vega poema, poeta, poesia sete mares, sete musas templário, espada, palavra cantochão antes do bronze, sete velas ao negrinho... poeta não tem lugar não há lugar no poema!