Muito Além do Bojador
Rosário de nove contas, Nove pérolas-colar, Nove naus a navegar, Desde o mar de Portugal. Singram mares tão distantes Terras tantas para El-Rei.
Laurindo Inácio quer mais, Tem anseios, tem visões. Navegar para um futuro, Timonear um novo rumo, Ancorar em porto novo Bem além da solidão.
Contempla um final de tarde, Olhos no fim do horizonte, Por saber que é infinito Na finitude possível, Ideais, depois dos longes, Bem além do próprio sonho.
Caravelas põem-se ao largo, Sete mares já cantados, Nunca dantes navegados. Ilusão! Laurindo Inácio, Quimera nunca sonhada Além das musas e poetas.
Rumando ao desconhecido, Sob a bandeira de Algarves, Vaticínio de Camões. Velas aos ventos e aos céus, Mundo novo terra fértil, Muito além do Bojador.
Fora conta de um rosário De nove contas apenas. Florão de mares e ventos, Novos mares para El Rei. Fora verso de um poema, Luz e glória lusitana.
Terra estranha, tempo outro, Rosário de contas tantas, Um poema na memória Nove saudades de mar. Anseio e visão de pátria, Muito além do Bojador.
Vencidos tempo e lonjura, Passados 300 anos, Laurindo Inácio são muitos, Os muitos são outros tantos, Bem ao sul do sul do mundo, Sob o símbolo da Cruz!!!
O homem desenha a vida, No couro etéreo do tempo, Invisível pergaminho Onde a história se eterniza. Onde o destino comanda O estradear dos andantes.
Laurindo Inácio Silveira Mais um na leva imigrante, Mais um a crer nas promessas De Silva Paes e Del Rei. Dos mares de Portugal Ao mar de pastos da pampa.
Nove saudades de cais Para brotar a esperança, Para crescer do trabalho. Gerações de grãos e gentes Sob a benção dos andores No mar imenso dos campos.
Campos, lavouras, sementes, Povoados margeando rios. Um porto que era só um porto Agora tem seus casais, Não mais saudades de pedra Não mais silêncio de cais.
Quem tinha mares tem rios, Que tem rios tem oceanos. Sonhos longes que navegam, Sonhos que viram povoados Cidades, vida, labor, Ilhas de campo e distância.
Lenço, bandeira, brasão, Sementes, arados, espadas. Lavouras, guerras, bailados Tropel de cavalarias Violas enluaradas Flores enfeitam janelas.
Janelas para os sorrisos Janelas para o futuro. Novo tempo, sonho antigo. Laurindo Inácio fez Pátria, Bem aqui no sul do mundo, Muito além do Bojador!!