Fraiburgo Revisitada
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I Kaingang no campo aberto, Xokleng nas araucárias. Ao olvido das plegárias, o homem, um ser liberto, tecendo um futuro incerto. Tudo é de todos, sem dono, nem um filho no abandono. Nos rituais das madrugadas, da Pacha Mama, Sagrada, não tem patrão nem patrono.
II Duas tribos no entorno do Sagrado da Araucária. A vida, embora precária, tem harmonioso contorno co'a natureza em adorno. Mas quando tudo converge, muy pouco ou nada diverge, uma serpente sinuosa, Insinuante, vagarosa, vai transformar o asperge.
III Se a tropa esparge esperança, angústia traz ao nativo, outrora livre e altivo. Vem o progresso, a bonança, pra uns, bem aventurança, ao índio apenas memória, poucas páginas na história. Novo tempo se desvenda. O mundo? O branco engendra. ao índio um final sem glória!
IV O tropeirismo se expande, estrada lerda, comprida, gesta uma saga aguerrida, da Sorocaba ao Rio Grande. Por mais que o tempo demande, a história jamais se apaga, grandeza que não se esmaga. Surgem trilhas vicinais, veredas, vias, ramais, do rincão a estrada grande.
V Unindo os Campos Gerais, de Araranguá que partia Francisco Souza Faria. Assim, por terras neutrais, dos campos meridionais, gadarias rio-grandenses pras serras catarinenses. A construção de um ramal obra estóica, magistral, sem teatros nem suspenses.
VI Das Missões, de Sacramento, vão as mulas argentinas, com boiadas cisplatinas, esplendor desse momento que no verso é fragmento. Os rebanhos missioneiros para os sertões brasileiros. Cristóvão Pereira de Abreu, não pediu, nem requereu ser principal dos tropeiros.
VII Guarda-Mor, Correia Pinto, funda Lages no planalto, uma odisseia que exalto. Não se planeja o instinto, o líder nato, distinto, talvez não visse Fraiburgo, promissor, futuro burgo de genes miscigenadas, das legendas encantadas com aura de taumaturgo.
VIII Butiá Verde, Liberata, o agro, modo insipiente, hoje, sol resplandecente. Mesmo a visão abstrata, percebe Fraiburgo, efrata, com laivos de poesia, e bênçãos de João Maria. Liberata Índia, e a Chica, Pelega que não se achica, sangue, denodo, magia.
IX Desta gesta identitária, onde forjou-se o tropeiro, emerge o sul brasileiro. Uma odisseia templária, concede origem lendária. Eguada, tropas, contendas, sem medalhas, nem comendas. A Fraiburgo desse tempo, se enraíza no destempo, dos fogões e das legendas.
X Al cabo finda o poema Numa Espinela sentida. Ontem, concede a guarida, para o fulgor do presente. Um futuro resiliente, alicerces na memória, raízes fundas na história, no sangue dos ancestrais, peregrinos magistrais colenda plena de glória!