Alma em Verso
Poesia

Meu Pai Amigo

João Benito Soares

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Senta aqui meu velho amigo Neste cepo galponeiro Corta o fumo pro palheiro Ao teu modo de cortar Depois começa a pitar Este palheiro bem grosso E daqueles tempos de moço Hoje o senhor vai contar.

Toma um trago de pura Pra esquecer o sofrimento E melhorar o pensamento Dessa mente já apagada E fala pra quem indaga Lá dos teus tempos de moço Os grandes jogos de osso E das peleias de adaga.

O velho pegou a contar Do tempo que se passou, Pois o velho me contou Dos fandangos que saia Tudo aquilo era alegria Lá num rancho de capim Fandango só tinha fim, Quando vinha clareando o dia.

Diz eta fandango Bueno Que dava naqueles tempos, Ficou no meu pensamento Aquelas lindas festanças Não me esqueço das danças Às vezes chego a chorar, Pra aquele tempo voltar Eu tenho muita esperança.

O velho falou também Como era as carreiradas Que correu na Encruzilhada Onde deu algum banzé Na chaleira era o café E as liguiças no gancho Eu lembro baile de rancho Me comicha a sola do pé.

Histórias me contou, o velho Que nunca um dia se apaga E das peleias de adaga Na cancha da pitangueira Os pastéis das cozinheiras Diz ele: era uma gostosura Pois até por rapadura O velho correu carreira.

Aquele tempo, meu filho, É que hoje, pra ti, falo Penca de vinte cavalos Se corria o dia inteiro Valendo pouco dinheiro Mas grande competição Eu sinto recordação Do meu tempo de primeiro.

Hoje sinto uma saudade Daquele tempo passado Me encontro velho e cansado Meu cabelo já branqueou Pena que tudo mudou Só eu não pude mudar Ah, se eu pudesse voltar Ao tempo bom que passou.