Menina Simples
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Menina simples que nasce Nos confins lá do rincão Não tem outra ilusão Que o trabalho de roça
Não tem conforto no lar E brinca sempre solita Usa vestido de chita, E mora numa palhoça.
Nunca veio pra cidade Não conhece a evolução Na luta ganha do ganha pão Há um dia de envelhecer Como uma planta silvestre Sem retoques, essa menina, Apenas cumprindo a sina Nascer, crescer e morrer
Eu nasci na cidade E sinto no coração Toda sublime emoção Das coisas lindas de agora As vezes me acordo triste Pensando na triste vida Que leva, longe perdida, Uma moça lá de fora.
E então perguntei a mim mesma, Recolhida ao pensamento Pra que o convencimento Quando se tem a ventura E reposto ao meu prazer, Num sentido profundo, Das diferenças do mundo, Com essa outra criatura. E tu irmã de campanha, Que nem sabe que eu existo
Peço por ti a Jesus Cristo, E digo o que tu não diz, Se vives só na campanha E eu tenho um lindo viver Só Deus poderá dizer Qual de nós será mais feliz.
O mundo é sempre o mundo, Aqui, ali ou além, E feliz é só quem tem Crença, amor e devoção.
Por isso lá na campanha Ou aqui pela cidade, Só tem felicidade Quem tem paz no coração.