Menestrel dos Cardeais
Publicado em
Do lombo da Sesmaria foi p’ro cogote da serra sempre cantou a sua terra com divina maestria; parece até que sabia quando um canto desatava que a pampa inteira voava nas asas da sua poesia...
Bendito pássaro negro menestrel por excelência, tenor xucro da querência, nunca demonstrou vaidade, unia o campo e a cidade por estas plagas de Cristo, na armada d’um canto misto de garra e maviosidade...
Seu canto xucro e brejeiro sonorizava os confins, bronze de sinos, clarins, ecoando nas sesmarias, nas missões e serranias; verdadeiro Rapsodo, sempre cantou com denodo e fez da vida uma poesia.
Cantou nas NOITES DE INVERNO, os SONHOS DE PRIMAVERA, milongeou tantas quimeras entre risos e cochichos, miradas de alguns CAMBICHOS onde o trinar do teu canto era reza e acalanto no santo altar do bolicho...
Estará sempre entre nós Onde houver gaita e violão E por certo todos dirão, Com muito amor e carinho: “Canta alto PASSARINHO o NEGRO DA GAITA e o GURI, pois o Rio Grande inteirinho jamais esquece de ti!...”
Com um pala cor da geada PASSARINHO bateu asas, “rumbeou por riba”das casas, numa última VOLTEADA e uma saudade danada inundou os pajonais... O MENESTREL DOS CARDEIAS Viajou p’ra eterna morada...
“Convida um anjo “a lo léu “pra enduetar o FAZ DE CONTA e se o TROVADOR te afronta, quebra na testa o chapéu, faz do infinito um tendéu, canta com garra e afinco, o NEGRO DE TRINTA E CINCO no palco grande do Céu!...”