Visagem
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Escutem, senhores, O bater descompassado Que vem lá da mataria É a cantiga dos machados No sacrifício das grápias Dos cedros e dos ipês, Que agora vão virar pranchas Na fome do traçador, Para arte dos enxós.
Lá na estância do Brejo, Na barra do Camaquã, Ergueu-se o estaleiro, E o farroupilha, por certo, Já se esgueira entre os juncais.
Seus corsários são os mesmos Que agora farquejam braços, Para estender o espinhaço E acolherar as cavernas.
Já se vê agora a quilha Do Seival cortando ondas Lá na barra do Pontal. Na proa o porte esguio, Barbas densas, pele clara, De alguém que cruzou fronteira Clamando por liberdade.
Garibaldi ganhou fama e respeito No meio dos Farroupilhas E agora escreve trilhas Nos rasos desta lagoa. Toma de assalto os mercantes E atordoa os Imperiais.
Lança primitiva utilizada para carpintaria Estrutura interna dos barcos Será que estou sonhando? Mas a visão é tão clara Como estas águas Quando o mar emprenha a lagoa De tainhas e linguados, Pra sofra do camarão.
A xucreza de pescoços Da reduza destes campos, Envergam cangas, Na imensidão dos banhados. Os rodados. Tão grandes como epopéia, Ramgem nos eixos Que sustentam os lanchões.
Invertendo a história do dilúvio Os que eram nativos das águas, Agora navegam terra Ansiando outra Laguna.
Ao beijar o sal marinho, Netuno sepulta os Farroupilhas E o Seival, navegando a solidão, Chora e bronzes... A morte de seu parceiro, Sucumbindo outros navais...
A tempestade passou, Os canhões já silenciaram... Da calma de Laguna, Nasce então Juliana.
Outra mulher se emoldura E o italiano liberto Se escraviza nos seus olhos ”Ma que bela” é sua Anita. Peças de artilharia
De novo os trovões verram Sustentando os caramurus E á espreita dos matos Abre picada pro sol. Trazendo o amor “de-a-cabresto”
O Seival não foi quimado! Ressurgindo na lagoa, Embica no São Lourenço, E a boiada, agora mansa, Estica a cordoalha Nos rodados carcomidos. E o lanchão ganha a areia.
Um dos eixos Então se quebra E o Seival emborca a quilha Que ganha ares de oitão, O seu casco de galpão Vira quincha, Sustentada pelos mastros. As cavernas ganham caibros, Linhas e pontaletes.
Por certo que não é sonho, E nem tão pouco miragem. É simplesmente a visagem Que eternizou este Seival. E eu me sinto um caudilho Abrigado em teu convés, Um Garibaldi a teus pés, A cimbrar tempos de paz.