Os Luzeiros do Povoado
Publicado em
Quando vai caindo a tarde Eu olho para o horizonte Vejo o Sol sumindo aos poucos Lá por trás daqueles montes Encerrando mais um dia Findando mais um reponte
É assim que a noite desce E a pampa se transforma Os cerros que eu avistava Pouco a pouco perdem a forma E assim surge a solidão Que há muito me inconforma
Por isso sento sozinha Em meio à escuridão Vendo luzeiros que brilham Se perdem na imensidão São as casas do povoado Onde está meu coração
Entre todas essas casas Numa delas tu habitas Por isso ao ver as luzes A alegria é infinita Por não saber qual é a tua Todas me soam bonitas
Vejo então que a distância Não é tão grande assim Só há cercas e banhados E talvez algum jardim Nesses pouquinhos quilômetros Que te separam de mim
Mesmo curta a distância Parece se agigantar O banhadal é traiçoeiro Quem pisa pode atolar E o alambrado que é estreito Não permite atravessar
Mas quem sabe algum dia O atoleiro dê o cruzada E as cercas caiam por terra Permitindo tua passada E venhas buscar o abraço Que aguarda tua chegada
Porém enquanto não chega Esse dia tão sonhado Vou seguindo minha vida De coração apertado Mas sempre me consolando Vendo as luzes do povoado