A Pena-prenda da Coruja
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As madrugadas silentes Chegam até me dar medo Depois da reza e o amém Não escuto nada além Que a coruja no arvoredo
Deitada sobre meu catre Vou altas horas pensando No quão dói essa distância Que desperta essa ânsia De ver-te um dia chegando
Me reviro, perco o sono E aos céus pergunto baixinho: Pelo amor de Deus Pai Por quantas luas a mais Viverei sem teus carinhos?
Não obtenho respostas Fora a coruja que grita Num lamento ela chora E eu percebo nessa hora Que ela também é solita
Inspirada em nossas penas Eu escrevo poesias Enquanto lá das alturas Cheia de amor e ternura Ela faz as melodias
É assim que nós fazemos Nestas noites de luar Esperando dois regressos Cantamos dores em versos Pra tristeza espantar
Quando a tristeza se vai E a lua pelo céu desce Eu volto para o meu leito E com todo amor no peito Pedindo, faço outra prece:
Nos dê forças, Patrão Velho Pra aguentar este repuxo; Pra coruja do limoeiro Traga o seu companheiro E pra mim, o meu gaúcho