Uma Janela Chamada Saudade
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Pelas ruas da cidade Sigo ao tranquito e a esmo Vejo passar de soslaio aquele mundão de concreto entre luzes multicores.
Me adentro mais pra esse mundo a campear não sei o que. Pois busco na insensatez motivos pra caminhada pateando os cascos já gastos na solidão das estradas.
Por entre asfalto e cimento me deparo com a figura de um velho maltrapilho deitado defronte a porta de uma loja qualquer. Recebendo as vibrantes carícias de um vermelho néon que lembravam vagamente matizes de um por de sol no entardecer da querência.
No vai e vem das pessoas que ali passavam depressa no anseio de seus rumos. Fez parada num repente a esguia silhueta de uma linda mulher Aproximou-se do velho e com um gesto singelo lhe convidou pra segui-la.
Foi então que essa mulher numa prosa espichada - dessas que se comunga nas horas crepuscular numa roda de galpão - Indagou-lhe dos seus medos, apontando para os rumos de um albergue.
Nessas idas rotineiras que a moça por lá fazia para ofertar-lhes ajuda, encontrou por muitas vezes aquele velho maltrapilho que por ali se aquerenciou.
Um dia de volta às casas foi chamada pra uma "séca" por aquela velha figura. Tinha na sua estampa as voltas de "uns sessenta" as faces amorenadas pelo sol forte da lide, as mãos, o condenava pois trazia os dedos tortos moldadas por cordas brutas em tironaços de anos.
Chega a noite meio tímida e a boieira, meio de contra gosto. por entre torres de aço vem saldar aquela prosa que, entre risos, chistes e choros fez morada em pensamento Sim porque ali já se achegaram outros da mesma "tropa", para a charla costumeira.
Então numa vã fronteira entre o urbano e o rural com ela o martírio de volta No povo, fecham-se as portas nas suas fábricas loucas. E o campo abre as porteiras perdendo homens de ofício. Ah! meu Deus, como voltar!
E a noite segue ao tranquito ouvindo antigas bravatas em volta daqueles homens, que junto a um velho latão usaram suas próprias camas pra reviver novamente o nosso fogo de chão.
Quando o sol reponta lumes trazendo o dia de volta para mais um cotidiano, Retrata naquela praça, alguns homens maltrapilhos, restos de um fogo grande, algumas garrafas vazias e baganas pelo chão. Pedaços de sonhos lindos que os tironaços da vida rebentaram nos corredores. De tantos golpes de esporas e de muitos desamores...