Prelúdio a Uma Guitarra em Noite de Lua Grande
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Quando um acorde solene Desgarra do alambrado das cordas do violão, Em contraponto a lua, atorada pelo horizonte, vem estender acolhida nesta milonga sureña.
Os dedos vão deslizando por este corpo moreno. Arrancando ecos sonoros em notas de melodias, juntando a voz de um cantor a fundir o corpo e a alma numa bela canção de amor...
Na intimidade do abraço Que o guitarreiro acomoda Sobre as curvas da guitarra, relembra um casal de amantes sob a vigília da lua, espiando por traz de um cerro à não mostrar-se curiosa.
E no ponteio das cordas os dedos vão galopeando entre as notas musicais, acolherando partituras de imutáveis milongas dessas, de parceria com Deus, em noites de inspiração.
Nas rondas pelos fogões de rudes e buenos campeiros, és o lenitivo corpóreo pras horas de insensatez, pois cala as dores do corpo massageando as penas da alma, por um dedilhar de mãos leves, em doces mazurcas de lei.
Arranchada pelos bolichos do Rio Grande e Uruguai. Pelas pencas de cancha reta, em tavas e rinhedeiros. Em parceria com gaitas nas bailantas de ramada. E varando as madrugadas nos surungos de galpão.
Em noites de lua grande espaldeada as costas de um gaúcho sobre a anca moura de um pingo prenuncia o seu destino de bordonear acordes sublimes para as carícias mais íntimas, junto as morochas Del sur.
E lá do fundo da noite Ressoa uma voz bem grave recitando uma poesia, pedindo: Me abram cancha, pra uma guitarra madrinheira Pois hoje vozes e sons vão parir rimas perfeitas para preludiar as manhãs...