Monarca
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Nos anteontem do tempo Campeio recordações... E trago para a memória A estampa do meu avô.
Os olhos parados no tempo As lembranças que vão passar...
Contavam que quando novo, Índio guapo e peleador De dia as lides campeiras... E, ao luar com bois e arado... O viam lavrando o chão.
Mas como todo mocito, Também tinha seus cambichos E lá no fundo da alma Quando chegava aos bochinchos. Bombeava para as percantas Falando com o coração.
Nas lides, fazia de tudo. Guasqueiro por excelência, Em tranças era um colosso Quem o visse trançando cordas Para os aperos de prata, Jamais imaginaria Que essas mãos serviram a guerra.
A lavoura como era linda! O pomar, a criação, Pois tudo que ele fazia Era com muita perfeição. E a brisa da memória Trouxe-me mais uns recuerdos...
As carreteadas dos tempos Que fizera à capital. Também andou com comboio No longínquo litoral.
Quando proseava com as filhas Ao derredor do fogão, Tinha sempre ensinamentos Para os retrucos da vida E os segredos do coração.
Na vida passara por tudo, Pois corria em suas veias O velho sangue farrapo Deixando com legado O amor por esta terra.
O tempo troteou depressa, Nas invernadas da vida.
E aquele taura camapeiro, melenas de muitas geadas As mãos tratadas a cordas pelos repechos da vida. Calçava as velhas tamancas e a bombacha de riscado Como a pedir porta do brete Para as Campinas do Céu.