Mais Confidências
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Foi por causa da guerra Que fiquei só neste mundo, Já sem mãe, agora sem pai. Enquanto, na guerra, eles matam e morrem, Eu, em casa, ia morrendo também... Pouco a pouco desmoronando, Será que na guerra ninguém tem coração? Dez anos de idade e só no mundo. Mundo grande...sem dó nem piedade.
Por 3 meses a aflição tomou conta de mim, Pra depois devolverem meu pai... Um pedaço de papel Contando do acontecido. Não foi assim que ele foi embora! E agora, que eu agüentasse, Sem nada, sem ninguém. As ruas não são um bom lar, A fome não é uma boa companheira, A solidão não esquece Nas frias madrugadas...
Pras ruas fui Lutar por minha vida! Quando você vira um mendigo, As pessoas mal te olham, E quando olham, é com aquela cara de medo... Você parece um bicho! Ou então invisível.
- Me dá uma moedinha, ou um pedaço de pão, tô sozinho e tô com fome... E as pessoas não pensam em você, E você começa a comer os restos do que elas comem. E você passa frio... E não tem ninguém pra te cuidar. Esse é o drama de um órfão!
As ruas são meu lar, Do lixo vem meu sustento... De vez em quando ganho uma coisinha... Minha casa não é só minha, Tem bastante gente. Tudo por causa da guerra! Maldita guerra! Minha tristeza começou No ano de 43, Meu pai se foi E agora quem cuida de mim, Sou eu.
De vez em quando, Passo por um CTG, Espio de longe, Olhe aquela gente dançando... E eu só olhando! A tradição está em meu sangue, A bandeira em meu coração, Este é o meu ideal... Mesmo de longe, Minha luta é homenagem a esta terra!
Já são cinco anos nas ruas, A vontade de viver foi Que me deu forças, Porque eu enfrentei tudo! A chuva que batia na minha cara, A barriga que roncava E o medo. Tudo sem reclamar. A vida é uma escola pra mim, Estudo não tenho, Sou alguém que briga pra viver!
Conto essa história, Porque uma vez não foi o bastante... Ainda busco reconhecimento. Pois não é pra qualquer um, Essa vida é uma batalha. Minha luta não terminou, Nem está perto do fim. Eu vou mostrar pra quem duvidar Que o sangue que corre em minhas veias É de fibra forte!
Herói não quero ser, Porém anônimo também não. Pois de lamentos não vou viver, Nem espelho quero ser, Só quero mostrar que o meu sofrimento Nãoé qualquer um que agüenta. Sou de raça boa,
Como meu pai... Pelas ruas ainda vivo, Quero apenas que minha luta Mostre para todos Que sonhos nunca morrem!