Madrugada
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Cevei um mate gaúcho Pra tomar com a madrugada Que a lua cheia cansada De rondar a noite fria Encomendou a barra do dia Para alumiar o galpão E assim empeçar a lida No meu oficio de peão
As labaredas do fogo Fazem chorar a chaleira E nesta orquestra campeira Vai soluçando a água pura Enquanto que a noite escura Se despede no infinito Com cara de sono o dia Vai chegando a despacito.
Meu flete zaino pinhão Na estrebaria dos fundos Solta um relincho pro mundo Enquanto remoe o milho Que até parece o estribilho De um verso flor de campeiro E pelo instinto advinha Que vai usar meus aperos.
O dia que chegou quieto Derruba a noite num pialo Parando o canto dos galos E o alarido da cuscada Mostrando a cara encarnada De um sol que nascendo inteiro Levanta buscando as cores Do meu rincão missioneiro
E a manhã se faz presente Ganhando vida o galpão Recostadas num tição A cuia, bomba e a chaleira Vão negaceando a boieira Pra quando a noite voltar E a lenha seca do angico Não deixe o fogo apagar.
Assim começo meu dia Nesta bendita querência Sentindo na alma a essência Da noite grande do pago Reminiscências que eu trago Com cheiro de camperiada E o gosto doce da vida Num mate de madrugada