Barro e Sol
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Nos dias negros de panelas magras Quando até a fome é canto de esperança, Olhava a estrada, cismarento e mudo... Mas era moço e a vida uma promessa.
Olhava o rancho, filharada à volta E uma guitarra descordoada e velha, Seu canto agora traduzia angústias... Mas era moço e a vida uma promessa.
Cantava as mágoas pras quatro paredes Enfumaçadas de seu rancho tosco... Canto e milagre, porque só um milagre Dizia ao moço: a vida é uma promessa!
Trazia n’alma apenas barro e sol Café e farinha no almoço pobre... Reza e silêncio junto à imagem Santa, Mas era moço e a vida uma promessa!
E tantas foram, suas lutas, tantas! Que se seguiram pelo tempo-estrada... Que hoje velho, vê no verso triste, Toda a grandeza em não ter feito nada!