Alma em Verso
Poesia

Prendinha Prenda

Luiz Carlos Araújo

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Sou a prendinha do pampa Que dança, canta e declama, Do Rio Grande, sou a chama Que acende a nova esperança Não preciso que me mande Já sei amar o Rio Grande Mesmo sendo ainda criança.

Este vestido de prenda Faz sentir-me mais segura Parece ser uma jura Que meu íntimo sustenta Sou pequenina porém Já sei o valor que tem Esta minha vestimenta.

Cultivo as coisas do pago Conheço as lidas da estância Me orgulho sem arrogância Do meu costume sulino Eu respeito a tradição Amo as coisas do rincão Este é meu maior ensino.

No verde lindo do pampa Almejo um novo horizonte Na água limpa da fonte Bebo goles de alegria Sou prendinha, serei prenda, Sei da história, conheço a lenda, Serei mais gaúcha um dia.

Nos rodeios da querência Sinto a história renascendo Pois parece que estou vendo Nossos valentes farrapos Na dança da chimariita Vejo as chinocas bonitas E gaúchos buenos e guapos.

A roda de chimarrão Simboliza a amizade Une o campo e a cidade Num bate papo sem luxo Cada gole desta essência Revigora esta querência E une mais o gaúcho.

Nos piazotes e prendinhas Vejo um futuro brilhante E no passado distante Ouço o eco da voz Vejo o gaúcho peleando E agradeço rimando O que fizeram por nós.

Por isso é que sou feliz Por isso me sinto bem Sei que a querência também Se orgulha muito de mim Quero que nada mude Peço que a virgem me ajude E a história prossiga assim.

Nos caminhos da vida Buscarei o meu ideal Lutarei até o final Vencerei, se Deus quiser Quero que o bem seja feito Que o peão tenha respeito E que eu saiba ser mulher.

Se meu sonho eu realizar Aos céus agradecerei Por certo um dia lembrarei Da prendinha da fazenda Das coisas que cultivei E o que aprendi, ensinei, Cumprindo o dever de prenda.