Um Verso Xucro ao Futuro
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O Transcendente futuro Desprovido de exemplo Buscará nos ancestrais Inspiração para seu tempo...
E o quase maquina homem Num sistemático luxo, Seguirá rastos na historia Campeando o tal de gaúcho!
Nos antigos povoadores... Gregos, Romanos, Hebreus, Passado que se perdeu No pó, no vento, na terra, Numa cruz sem inscrição Donde renasce um pagão Após tombar numa guerra.
Num primata aborígene, Quíchua, Bugre ou Ameríndio, Um precursor com origem De Maia, Asteca ou Inca, Por Hispanos predadores, Latinos miscigenados Por primórdios campeadores...
Nas cruzes sacramentadas, De minuano com Tupi, Charrua com Guarani, Caingangue com Coroado, Primitivos castiçados No rude cio das legendas, Instinto ritualizado Em sanguinárias contendas.
Mas... só no gene inconfundível De um povo nobre e altivo Encontrarão no Gaúcho, Imortal e redivivo Indiferente ao milênio, Qual um rei petrificado No trono de um potro Bueno...
E o mundo mecanizado Artificial e amargo, Já sem ter identidade E nem alma certamente. Descobrirá no gaúcho A mais crioula semente, Que a mão do homem não soube Mudar geneticamente...
Verão em seu atavismo Que o modernismo e a ciência Não teve muita valia Na recôndita querência, Não sucumbiu por arcaica Nem caiu em decadência, Conservou sua raízes Por ter razão e consciência...
Verão na estranha cultura Um orgulho requintado, Por ter bases no passado Jamais se perdeu a esmo, Limitou anseios ousados Para não matar a si mesmo...
Verdade... O transcendente futuro Desprovido de exemplo Buscará nos ancestrais Inspiração pra o seu tempo...
O gaúcho será o mesmo... Alma e matéria monarca, Pois que esta terra tem marca Gritará eternamente Seja em qualquer geração, Vencendo a fúria do tempo Será mesmo um exemplo E amor por este chão...!!
------------------------------- Poema vencedor do concurso literário do ENART/2004 – Editado pelo MTG na coletânea do 51º Congresso Tradicionalista/2005 em Santa Rosa