Primeiro e Ultimo Sonho
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E mais uma vez Joaninha ia ao catre se esconder, pra chorar e ninguém ver que realmente era lindo o seu sonho de criança, com seu peitinho gaúcho talvez um dom, que Deus lhe deu por ter nascido prendinha neste Rio Grande sagrado. Mas pra Joaninha o vestido era apenas faz de conta.
Nesse dia tinha visto num velho jornal que o pai trouxera enroladas as coisas, a foto de uma prenda que sorridente vestia o seu vestido de renda. Na mesma noite Joaninha ao dormir sonhou que viu, do jornal sair a prendinha e lhe dar um vestidinho igual ao que ela vestia.
Acordara soluçando por ver que era mentira, tudo era uma ilusão lá estava o catre vazio fora um sonho e nada mais. Mas sua inocente ambição não deixava de pedir, todo dia quando acordava com esperança olhava, parecendo que enxergava aquele vestido lindo.
Era início de dezembro na entrada do verão, lá se foi o João com esperança de sorte na busca do ganha-pão, quando partiu chorou pois a pequena Joaninha, mais uma vez lhe pedira o vestido tão sonhado, lá se foi João magoado por ser um pobre peão.
Enquanto que lá bem longe João comprava o mantimento, para logo voltar pra casa há dias estava fora tropeando pelo sustento. E assim lá no povinho quando ele entrou na venda, viu na vitrine exposto um vestidinho de prenda, sentiu saudades da filha e lembrou que o Natal chegava.
Foi então que prometeu com sua honra de homem; - Nem que eu quase passe fome hoje eu vou comprar, pra dar de Papai Noel a minha linda Joaninha. O destino é traiçoeiro ele nem se quer imaginava que Joaninha, pobrezinha... já tinha partido levando o primeiro e último sonho.
E assim pro pobre João restou a angustia de peão...
Noite feliz noite feliz pobrezinho nasceu em Belém.
Era o canto... a prece do funeral... Um caixãozinho... e Joaninha... Que parecia sorrir com o vestido de prenda seu presentinho final... Primeiro e último sonho. ... Era noite de Natal...
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c a n t a d o
Meio Pedida no tempo Joaninha fez sete anos... No rancho humilde e pobre à beira do corredor, presente ela já sabia não ia ganhar, o pai não podia comprar, e assim mais uma vez lá se foi a esperança, de seu sonho de criança nesse dia realizar.
Desde o dia em que Joaninha se conhecera por gente, ela tinha um sonho lindo; O primeiro sonho que teve na sua infância pobrezinha, a esperança não perdia de ganhar um certo dia todo enfeitado de renda, um vestidinho de prenda. Ó, meu Deus, que sonho lindo! e que realidade mais triste.
O seu pai era o João que na pobre sina de peão passava dias tropeando, repontando ilusões cumprindo a triste sina de um pai pobre, mas honrado. No rancho deixava a china sua esposa bem querer, tomando conta de tudo e da filhinha querida a sua razão de ser.
E Joaninha inocente cada vez que o pai chegava sorridente perguntava se o pai tinha lhe trazido aquele lindo vestido que em sonho ela viu, mas o pai, coitado! tristonho quase chorava o dinheiro que ganhava, às vezes até faltava pro sustento deles três.
E assim passaram os dias e Joaninha com a mãe esperava anciosa pelo retorno do pai. O fim do ano chegava e Joaninha lá estava sabia que era difícil, mas mesmo assim esperava, e todas as noites rezava depois da benção da mãe.
Mas um dia Joaninha amanheceu adoentada, talvez uma simples febre pensou a mãe preocupada, e assim passou o dia Joaninha cada vez pior. Caiu a noite tristonha e a mãe desesperada sem saber o que fazer, em um lugar sem recurso naquele rancho solitário.
Pensava mil coisas mas sem poder fazer nada ao pé da cama sentada rezava pra Deus Senhor, mas Joaninha abatida demonstrava passar mal, Cruelmente atingida por uma doença fatal. Se pelo menos João chegasse, faria alguma coisa... mas ele estava tão longe.
E assim, madrugada alta, ali estava Joaninha delirando em febre, já amortalhando seu sonho tão lindo de criança, assim mesmo, beirando a morte se sentia uma prenda, e na ilusão, na agonia ela enxergava Jesus, lhe entregar feito de luz um vestidinho de prenda.