O capelão
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“...Deus deixou, segundo sua vontade as coisas fracas para confundir as fortes e as coisas loucas para confundir as sábias...”
Então protegei, Senhor...esses terrunhos que são frágeis na razão e na sapiência, Estão predestinados ao olvido tolo mas lutam por instinto e obediência... são humanos ignotos e inocentes que na eminência insana do combate Esquecem de evocar sua clemência E chocam indefesos a vanguarda Num estrondo que estremece a querência...
Só se ajoelham para o senhor, esses bravos, que são escudos humanos certamente E tombarão mutilados para sempre lembrados Como másculos, heróicos e indomáveis Com o rótulo dúbio e obscuro de valentes...
Protegei, senhor... essa cavalaria rude Que impetuosa, obrupta e estremunhada Descamba alucinada o lancante... Que tenham muralhas nos encontros, esses potros, Pra o baque brusco da pechada... Que seus ginetes tenham braços férreos E não vacilem no brandir da espada... Que se usem certo o valor da esquiva Corpeando ágeis seus cavalos, Que não recuem no terror da luta Esmagando a cascos o inimigo ”malo”
Daí força Senhor...A quem tombar ferido Calai o agudo da dor mais horrenda E estanque a sangria desses moribundos, Que os tocos de lanças nos peitos inertes Não sejam fatais nem rasguem tão fundo... Que os talhos de adagas e furos de chumbos Não passem de ardência na carne insensata, Quem for pra morrer, que não sofra na morte, Quem ileso pelear ajudai a ser forte...
Perdoa Senhor... os que mortos ficarem De borco esvaídos no barro sangrento, É o lúdico fim de uma frágil matéria De humílima vida vivida em vão... Tende pena e piedade dos fracos humanos Perdoa as amargas de seus corações... E traga depressa a paz meu Senhor... Os homens guerreiros que lutam e morrem São tão miseráveis que ás vezes não sabem Sequer porque lutam e sequer porque morrem...
Por eles eu peço a sua benção, senhor... E estenda as razões desta prece apressada Que em meio a um combate é escudo de fé Pois tenho na alma a crença sagrada E no peito gaúcho, o furor de Sepé...