In Memória de um Bravo
Não... não será preciso uma estátua de quem foi um monumento sem pretensões simplesmente... Sua memória é um ementário eternizado em relatos, persiste o grito de um Bravo no silencio dos retratos.
Não foi um mito forjado por velhas iras pagãns, nem teve porte gigante pra duelar com titãns. Não foi vulto aventureiro rotulado por legenda nem fez vanguarda sangrenta em seculares contendas.
Não urgiu na Pampa larga com grito de rebeldia, nem andou peleando alpedo por orgulho ou teimosia. Não foi centauro sem doma nas coxilhas da querência nem escorou por audácia cargas de adagas e lanças.
Foi outra espécie de Bravo!
O conceito de bravura se confunde com proeza, porém o Bravo que canto foi bravo por natureza... Duplo sentido a pronúncia capricho e coincidência; de um lado atos e fatos do outro marca e essência.
Foi um bravo sim senhores! Pelo braço de pau ferro liderando uma “comuna,” predomínio de vaqueano que tem certeza no rumo... Pelas palavras tranquilas nos momentos mais cruentos, persistência de índio taura sem recuo nem lamentos.
Quantas vezes contristado deixou a prole de lado por um mero compromisso... -Por certo a alma doía mas a arte e a cultura pediam seu sacrifício- Nos peçuelos mil princípios astúcias e telurismo. ... um campeador visionário resplandecendo otimismo.
Sem vacilo embora inquieto na escassez do projeto abria a própria guaiaca! ... domava anseios ousados qual um ginete de fé e no susto da planchada caía sempre de pé!
O Pago ficou a esmo e com pesar a si mesmo -faz no verso um trocadilho- Enfraqueceu o comando quando calou-se o caudilho que canto reverenciando.
Não... não será preciso uma estátua de quem foi um monumento sem pretensões simplesmente...
Mas, ele sempre estará presente: Nos ventos que movimentam gigantescos cataventos... Num terno de reis lendário louvando um novo advento... No sincopar dos tambores dos negros do Morro Alto... No espelho da lagoa que ninguém entra nem pesca... No bulir das “machacaias” dos maçambiques em festa...
Sim, ele sempre estará presente: Na Tafona que engalana o litoral musiqueira... No Rodeio marca touro que se agranda além fronteira... Em cada verso que amplia as QUADRAS DA SESMARIA onde tauras rendem culto no altar xucro da poesia...
Foi um Bravo sim senhores! Sua memória é um ementário eternizado em relatos, persiste o grito de um Bravo no silêncio dos retratos!